5 escritoras conectadas a Cuiabá para ler e se apaixonar

 5 escritoras conectadas a Cuiabá para ler e se apaixonar

Divulgação

A literatura é um campo crescente em Mato Grosso, em especial, Cuiabá. Maior parte dos que escrevem vivem – pelo menos nos últimos dez anos, um suspiro em suas carreiras, seja, ao publicar obras solos pela primeira vez ou por simplesmente não desistirem de publicar.

Não à toa, a primeira mulher negra a presidir uma Academia de Letras no Brasil, é de Mato Grosso, e é Luciene de Carvalho. Falamos um pouco da obra desta personalidade histórica nesta lista, mas além dela, também mencionamos escritoras que exerceram outras profissões por grande parte da vida, mas que nunca desistiram de ser escritoras, como é o caso de Maria Filomena. Há também um pouco da geração que conseguiu fazer a primeira publicação solo ainda na juventude.

Além disso, esta análise partir de uma ótica feminina ainda é algo escasso – já que, o mercado literário ou da escrita, de forma geral, por séculos, também foi negado não apenas às escritoras de livros, mas para formadoras de opinião de todos os tipos. Censuradas ou condicionadas aos pseudônimos, muitas delas resistiram e exploraram caminhos para que as mulheres “do futuro” publicassem. Nesta série de homenagem ao mês das mulheres, vamos favorecer ainda mais a visibilidade de seus trabalhos:

Seguem indicações de autoras que, de alguma forma, estão conectadas a Cuiabá e merecem ser conhecidas. Aliás, mais do que conhecidas, reconhecidas pelos seus trabalhos, (e o melhor) sem clichês machistas perdidos no meio do texto! (Parte 1).

Maria Filomena

As vezes a literatura pode ser uma aventura alucinante, que envolve de tal maneira, que como um salto de paraquedas leva pra fortes emoções de forma inesperada. Foi assim como Maria Filomena, que atuou como médica boa parte da sua vida, morou em outros continentes, colecionou histórias e expressou, quando já madura, sua experiência através das letras. Sem pensar duas vezes, se jogou entre as nuvens e horizonte literário. Com seus lançamentos, recebeu premiações e muito prestígio. Entre suas obras, Cunhatai, que retrata Guerra do Paraguai. Além desta, lançou Uma Ponte para Istambul, obra fruto das suas moradas no exterior.

Luciene Carvalho

Luciene é uma daquelas escritoras e artistas, que traz tanto impacto com suas reflexões, que para o leitor é difícil separar quais são as suas próprias emoções com as de quem escreveu o livro. Além de ser a primeira mulher negra a assumir a presidência de uma Academia de Letras no Brasil, ela é de forma fundamental, uma leitura necessária para transformar olhares. A poesia está em seu DNA e poucas coisas são tão fortes quando aquilo que demorou tanto tempo para ser expressado por quem de veras as viveu, como as dimensões sociais e negritude, além dos dilemas da periferia – descritos de forma tão envolvente, que nos coloca junto aos personagens. As dores são transparentes, o amor e as conquistas também. Luciene é formada em direção de teatro pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UFMT) e recebeu estatura de mestra da cultura pela Secretaria Estadual de Cultura Esporte e Lazer de Mato Grosso. Entre suas principais obras estão, Dona, Na Pele, Insânia e Ladra de Flores.

Larissa Campos

Um fato é que mesmo que Larissa tenha lançado sua obra na fase adulta, ela conseguiu preservar em suas palavras, a inocência da menina que observava o mundo, enquanto expectadora, em suas histórias. A Casa do Posto, primeira obra solo lançada por essa escritora e jornalista, é uma coletânea de momentos vividos por ela em sua infância. Tem gente que nasce pra ser escritora, e talvez este tenha sido o caso dela, que é natural de Manaus (AM), mas reside em Mato Grosso há alguns anos. Campos também participou de coletâneas como a “Ser, nascer e desnascer (enquanto mulheres)”, da Primavera Editorial e teve um conto “O pedaço”, escolhido para compor a coletânea do Prêmio Off Flip 2022, lançada em novembro durante a Festa Literária Internacional de Paraty (RJ).

Rafaella Elika

Esta escritora, a mais jovem de todas mencionadas nesta lista a lançar sua obra, revela o quanto a literatura se moderniza e também revela os moldes do seu tempo. Rafaela, mesmo que com a linguagem por vezes sutil e outras mais calientes, lançou uma obra com vários contos, alguns deles não exclui a linguagem erótica – e, enquanto jovem mulher, além de lançar o livro aos 21 anos (o que por si só já mostra independência e que vivemos em novos tempos), também usufrui da liberdade de escrever sobre o tema que quiser, seja amor, drama, desejos e – até, sexo. Isso mostra o quão libertador pode ser ter mulheres na literatura usufruindo de suas decisões, sejam elas quais forem, e publicando.

Stéfanie Sande

Com a primeira obra lançada em 2014, o livro de poemas “Borboletas infinitas de coração imperfeito”, na época ainda bastante jovem, conquistou leitores de todas as idades com sua delicadeza e transparência na escrita. Em 2015, após uma temporada na França, publicou o “O último verso”, vencedor do prêmio Mato Grosso de Literatura na mesma época. Já a obra “Virgínia”, seu segundo romance, foi publicado em 2021 e selecionado para o projeto Literamato II em 2022. Em 2023, teve a primeira obra lançada pela Alfaguara,  livro “Café Majestic”, que também tem repercutido bem desde seu lançamento. Stéfanie, além de jornalista e escritora, é mestre e doutora em escrita criativa pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Que venham, além delas, muitas outras escritoras. E, de todas elas, muitas obras! Tem alguma escritora que você goste que queira ver por aqui? Comente!

Atua com jornalismo cultural e assessoria de imprensa há mais de dez anos em Mato Grosso. Passou por cargos de reportagem e edição em veículos digitais e impressos, além de atuar em web-projetos (como séries e documentários governamentais e do setor privado) como pesquisadora e roteirista. Leitora e escritora literária, com ênfase em contos e crônicas. Hoje, além da empresa Mirella Duarte Assessoria de Comunicação, há quatro anos no mercado, é sócia-proprietária do portal Cuiabá Tem.